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Trilha Inca: Machu Picchu – 4º dia

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A caminhada final rumo a Machu Picchu começou às seis da manhã. Essa parte do percurso é ritualística. Cada um anda sozinho. Já estava envolvido pelo clima mágico e solene que se instalara. Éramos como profetas errantes que nos aproximávamos da Terra Prometida. Seguimos lado a lado, sem pronunciar uma palavra. Nada. A solidão se fazia necessária, pois percorríamos agora estranhos e intrincados caminhos interiores.

A trilha exterior, ao contrário, não era muito acidentada. O que nos orientava era um forte instinto. Nos outros dias, quando encontrávamos um grupo, era uma festa: as piadas corriam soltas em meio a informações sobre onde ficava o acampamento a, b ou z. Naquele dia, não. Cruzamos com muita gente, mas todos apenas olhavam, sorriam e não falavam nada.

Cerca de duas horas e meia depois, chegamos a Intipunku, ponto de observação, um vista point. A 2.560m de altitude, era o lugar mais alto entre Machu Picchu e Wiñay Wayna, e ficava a um quilômetro de nosso destino. No tempo dos incas, servira de observatório, posto de vigilância e espécie de alfândega. Intipunku significa “porta do sol”. Foi dali que vi Machu Picchu pela primeira vez.

Aos poucos, foram surgindo os demais integrantes do grupo. O silêncio respeitoso de antes permanecia. Todos se acomodavam. O olhar da maioria variava entre espantado e emocionado. Meu corpo parecia não ter massa física, como se estivesse flutuando, levitando. Percebia claramente a minha aura e conseguia mesmo ver a energia que emanava das outras pessoas, como uma espécie de luminosidade envolvendo-as por inteiro. Nunca vivera algo semelhante.

Os raios de sol iluminaram Machu Picchu inteira. Era como se os deuses incas estivessem esperando a plateia reunir-se para ligar os refletores do espetáculo. A cidade brilhou majestosa, no alto da montanha. As pedras que pareciam apagadas, escuras, encheram-se de luz, adquirindo um tom avermelhado, vivo. Havíamos conseguido. Aquela trilha colocara à prova todas as nossas estruturas físicas, emocionais e mentais. Entendi que quem optava por segui-la estava sendo testado pelos espíritos. Cada dificuldade era um símbolo. As subidas estafantes, as descidas em que era preciso frear para não perder o controle do próprio peso… Apesar de tudo, ao fim dos dias e noites em que sofremos muito, mas também vivenciamos coisas boas, vinha a recompensa maior: a visão da cidade perdida, refúgio terminal de um povo que, embora aparentemente resignado diante das profecias dos deuses, mesmo assim tentou um último recurso para resistir ao inimigo mais bem armado: um refúgio que permaneceu oculto durante longo tempo, para preservar sua pureza sagrada. Quem vence os obstáculos que enfrentamos sai dali diferente. Era assim que eu e a maioria dos que estavam ao meu lado nos sentíamos.

Machu Picchu estava enfim diante de mim, depois de um mês de quase insuportável expectativa. As peças foram se juntando aos poucos. Quem vinha pela trilha inca recebia uma acolhida diferenciada. Como chegamos por cima da montanha, entramos direto na cidade, sem muita cerimônia, como se fôssemos de casa. Os que optavam pelo ônibus eram considerados visita e tinham que se submeter aos horários turísticos. Em vez de enfrentar quatro dias de selva, subiam oito quilômetros em vinte minutos, pelo ziguezague que partia de Aguas Calientes. O mais impressionante era o estado de conservação em que se encontrava a cidade. Isso se devia ao fato de ter sido descoberta somente em 1911. Assim, ficou livre da ação de muitos mercenários do passado. No entanto, boa parte desta preservação podia ser creditada à solidez da arquitetura incaica.

Machu Picchu pareceu-me uma cidade construída para ser uma fortaleza. Não por outra razão, boa parte da paisagem era dominada pelas terraças, que possibilitavam a auto-suficiência na agricultura. Coberta por uma relva verde-clara em toda a sua extensão, a impressão não era a de ser uma cidade abandonada e sim adormecida. Um dos aspectos notáveis era a semelhança das construções. Mesmo os aposentos reais não eram mais majestosos do que os outros prédios. Isso porque a comunidade não fora projetada para diferenciar plebeus e nobres. Seu destino era ser o berço de uma nova civilização.

Resolvi me desgarrar um pouco do grupo. Precisava ficar sozinho. Novamente, uma estranha sensação apoderava-se de mim: era como se a minha energia se fundisse com a energia que vinha das construções e do espaço. Entendi, mais do que nunca, que nada do que me acontecera desde o planejamento e durante a viagem fora por acaso. Havia um destino a ser cumprido, mais poderoso do que o racionalismo pragmático que parecia nortear os meus passos na vida até então.

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